A forma como diagnosticamos a obesidade está a mudar. O IMC continua a ser o ponto de partida, mas, isoladamente, pode não identificar adequadamente o excesso de adiposidade: não distingue massa gorda de massa muscular nem informa sobre a distribuição da gordura corporal. com o ponto de corte de 30 kg/m², apresenta uma sensibilidade de apenas cerca de 50% para detetar excesso de adiposidade.
Em junho de 2026, a American Diabetes Association (ADA) publicou novas recomendações1 para o diagnóstico e avaliação da obesidade, reforçando a importância de complementar o IMC com medidas de adiposidade abdominal, nomeadamente o perímetro da cintura e a relação cintura/altura.
O que muda na prática?
Em indivíduos de origem não asiática, segundo a ADA 2026:
IMC | Critério adicional | Diagnóstico |
|---|---|---|
≥30 kg/m² | Nenhum | OBESIDADE |
25–29,9 kg/m² | Perímetro da cintura Mulher <88 cm | Homem < 102 cm OU Relação cintura/altura < 0,5 | EXCESSO DE PESO |
25–29,9 kg/m² | Perímetro da cintura Mulher ≥88 cm | Homem ≥ 102 cm OU Relação cintura/altura ≥ 0,5 | OBESIDADE |
E o que diz a EASO?:
A European Association for the Study of Obesity acrescenta uma dimensão clínica ao diagnóstico2. Nos indivíduos com IMC 25–29,9 kg/m² e relação cintura/altura >0,5, exige também a presença de complicações médicas, funcionais ou psicológicas relacionadas com a adiposidade para estabelecer o diagnóstico de obesidade.
Esta diferença altera a decisão de tratar?
As diferenças nos critérios diagnósticos, ADA e EASO são, em grande medida, convergentes na indicação para o início de terapêutica farmacológica.
Existem, contudo, algumas diferenças na seleção dos candidatos a tratamento, que abordaremos numa próxima Update Toolbox | Obesidade, dedicada à terapêutica.